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Opinião - Agentes familiares: confiança ou conflito?

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Quando um jogador de futebol assina um contrato de milhões, é natural perguntar quem esteve à mesa a negociá-lo. Cada vez mais vezes, a resposta é o pai, a mãe ou o irmão. Jorge Messi, Fayza Lamari (mãe de Mbappé), Alf-Inge Haaland, o pai de Neymar: o modelo do "agente de família" deixou de ser exceção e tornou-se um padrão no topo do desporto. A pergunta que se impõe é simples: há ou não conflito de interesses? A resposta honesta é que há, pelo menos em potencial e que fingir o contrário é ingenuidade. Comecemos pelo argumento de quem defende o modelo, que não é despiciendo. Ninguém conhece melhor um jovem atleta do que a família. Um pai não vê no filho uma comissão, vê um filho. Jorge Messi acompanhou o filho desde os tempos do Newell's, levou-o para Barcelona em criança e geriu-lhe a carreira durante mais de duas décadas, num percurso que dificilmente teria sido mais bem-sucedido nas mãos de um intermediário. Num meio onde há agentes que pressionam menores, prometem ca...

Internacional - As redes sociais e os limites da vida privada dos atletas: o caso Raphaël Varane e o Manchester United

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Em janeiro de 2024, o jogador francês Raphaël Varane publicou, nas suas redes sociais, uma fotografia em que surgia a desfrutar de um momento de descanso durante a pausa competitiva em Inglaterra, numa estância de ski. O que parecia ser apenas um momento de descontração poderia, na verdade, tornar-se um problema para o futebolista, porque o regulamento disciplinar do Manchester United proíbe os seus jogadores de praticarem atividades consideradas de elevado risco, como é o caso do ski. Perante esta situação, surge-nos a questão: poderia uma publicação nas redes sociais gerar consequências jurídicas? As redes sociais fazem parte unicamente da vida privada do atleta ou fazem também parte da sua vida profissional?  Existia de facto fundamento para a abertura de um procedimento disciplinar?  E qual será o papel dos regulamentos internos dos clubes na definição dos limites da atuação dos jogadores? Ao longo deste artigo, estas e outras questões serão analisadas, procurando demonstr...

O Jogo dos Tribunais - Quando defender um colega pode custar uma derrota: o caso Amora FC no TAD

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No futebol, há momentos em que a maior dificuldade do árbitro não é decidir um penálti ou um fora de jogo: é  conseguir terminar o jogo. Foi precisamente isso que aconteceu num encontro do Campeonato Distrital de Júniores da Associação de Futebol de Setúbal (AFS), em Abril de 2016, entre o Vasco da Gama Atlético Clube (Vasco) e o Amora Futebol Clube (Amora). À primeira vista, poderia parecer apenas mais um caso disciplinar, mas, na realidade, este avórdão veio responder a uma questão muito mais interessante: pode um clube perder um jogo mesmo quando não iniciou os confrontos? Segundo o relatório da equipa de arbitragem, tudo começou quando um jogador do Vasco agrediu um atleta do Amora com socos e pontapés. Os restantes jogadores do Amora correram para o local. Inicialmente, para separar os intervenientes, contudo, a situação rapidamente degenerou numa agressão generalizada entre atletas das duas equipas, obrigando à intervenção de dirigentes e da força policial. O árbitro acabou p...

Internacional - Treinos abertos, responsabilidade fechada: quando o controlo de adeptos sai fora de jogo

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A Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Desporto assume, no ordenamento jurídico espanhol, um papel central na prevenção e repressão de comportamentos que coloquem em causa a segurança e os valores fundamentais do fenómeno desportivo. Criada ao abrigo da Lei n.º 19/2007, de 11 de julho, esta entidade é responsável pela definição e execução de políticas públicas destinadas à promoção de um ambiente desportivo seguro, inclusivo e livre de violência. Tradicionalmente, a atuação destas entidades tem sido analisada à luz de incidentes ocorridos durante competições oficiais, onde a intensidade emocional e a concentração de adeptos potenciam a ocorrência de comportamentos ilícitos. No entanto, a evolução recente da prática revela um alargamento relevante do âmbito de intervenção das autoridades competentes. Um exemplo paradigmático dessa tendência ocorreu em janeiro de 2024, na sequência de um treino aberto promovido pelo Atlético de Madrid. Apesar de...

Nacional - Porque é que os Estatutos podem salvar um Clube?

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Os Estatutos são, muitas vezes, o documento mais ignorado na vida de uma entidade coletiva — até ao dia em que se tornam o mais importante. Na verdade, são o elemento mais importante da vida de qualquer entidade coletiva, pois constituem o conjunto de regras que são o seu pilar de funcionamento e, como tal, é de extrema importância que não só regulem aquilo que se pretende que seja a atividade da entidade, mas que, igualmente, tenham uma vertente antecipatória forte, quase como fazendo uma prognose do máximo de situações que possam vir a acontecer. A este propósito, vale a pena recordar o caso do Varzim Sport Club que, pouco tempo após uma revisão profunda dos seus Estatutos, enfrentou, em janeiro de 2024, um cenário extremo: a demissão em bloco da Direção. Ora, a Direção de qualquer clube é o seu órgão executivo, ou seja, é quem gere o dia-a-dia, toma as decisões operacionais, representa o clube junto da Federação e/ou Liga, trata das transferências de jogadores e é responsável pelo c...