154 formas de errar

A dar início a mais uma jornada da nossa/vossa Newsport, nada como voltar a falar de um tema já antes abordado, mas que pela sua importância, consideramos que o devemos ressalvar.

Ora, bem sabemos que nem sempre os adeptos são tratados da melhor maneira pelas forças policiais, já em anteriores artigos abordamos essa questão, onde já se chegou a pontos extremos de deixar os mesmos em roupa interior e de serem violentamente agredidos.

No entanto, nem sempre são vítimas e nem sempre as forças de polícia de segurança adotam uma má conduta perante os mesmos e é exemplo disso a situação que ocorreu na semana antes do jogo entre o Ajax e o AZ Alkmaar, isto porque cerca de 154 adeptos, alegadamente do AZ Alkmaar (facto ainda não confirmado), foram detidos pela polícia neerlandesa, em Amsterdão por entoarem cânticos antissemitas.

Tais factos ocorreram numa estação de metro próxima à Arena Johan Cruijff, onde normalmente joga a equipa do Ajax. Ora, estes adeptos foram convidados por diversas vezes a parar tais cânticos antes de sucederem as detenções, no entanto, não respeitaram as autoridades pelo que foi necessário forçar a paragem da normal circulação do metro para se proceder às referidas detenções.

As referidas detenções deram mais que falar, isto porque veio publicamente a ser entrevistado Chanan Hertzberger, representante da comunidade judaica nos Países Baixos, onde saudou as detenções, apresentando a satisfação da Comunidade Judaica por se ter decidido intervir e lutar contra o antissemitismo.

Como tão bem sabemos, o antissemitismo é considerado como o preconceito, hostilidade ou discriminação contra os judeus. Na sua forma mais extrema, atribui aos judeus uma posição excecional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que façam parte das nações onde residem, sendo tais condutas geralmente consideradas como racismo.

O antissemitismo é manifestado de diversas formas, indo de expressões individuais de ódio e discriminação contra indivíduos judeus a violentos ataques organizados, políticas públicas, ataques militares contra comunidades judaicas e em casos extremos, até mesmos perseguições.

Ora, neste sentido, somos da opinião que as forças de polícia de segurança agiram de forma extremamente correta em Amesterdão, uma vez que nos encontramos em pleno século XXI e pretende-se cada vez extinguir o racismo bem como o preconceito, pois não devemos ser céticos e devemos ter consciência que apesar dos valores pelos quais nos guiamos, somos todos seres humanos e portanto somos seres iguais.

Ademais, é extremamente importante que se comece a dar o exemplo se queremos disciplina entre comunidades e em sociedade, até porque o mundo do futebol é assistido por maioria das populações e se começarmos por aqui com o exemplo, mais “adeptos” se irá angariar para exercer estes moldes de boas vivência e essencialmente de segurança entre as partes.

Aliás, já em Portugal existe a Lei n.º 93/2017, de 23 de agosto, que estabelece o regime jurídico da prevenção, da proibição e do combate à discriminação, em razão da origem racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência e território de origem, a necessidade da criação de uma lei que pune tais práticas é para ser tida em conta e para ser aplicada e, essencialmente, respeitada. 

E ainda, o futebol é um palco que pode (mas não deveria poder) desencadear comportamentos racistas, pelo que é a União das Associações Europeias de Futebol (doravante UEFA), que tem poderes sancionatórios sobre as competições europeias e possui no seu Regulamento Disciplinar, desde 2013, penalizações mais duras contra este tipo de atitudes durante os jogos. 

O dito regulamento prevê, por exemplo, o encerramento do estádio caso se verifiquem comportamentos indevidos por parte dos adeptos. O regulamento disciplinar da Liga de Futebol também prevê sanções que podem ir até cinco jogos à porta fechada, a que podem acrescer multas para os clubes. Cabe a estes assegurar que não há comportamentos racistas nos estádios.


Lúcia Batista

Assim, neste sentido, para que mais ninguém seja prejudicado e para que não se magoe mais pessoas, fica uma breve exposições dos regulamentos em vigor que punem o racismo e o antissemitismo e fica a esperança por um mundo melhor.


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