Polémica no futebol francês


Dia 17 de Maio assinala-se o Dia contra a Homofobia que possui como objetivo realizar eventos internacionais que aumentem a conscientização sobre as violações dos direitos LGBT.

O lema escolhido pela Liga Francesa para a campanha anual contra a descriminação passou por vestir os jogadores com as respectivas camisolas pintadas com as cores da bandeira arco-íris, associadas à comunidade LGBT. No entanto, quatro jogadores da primeira divisão recusaram-se a vestir as camisolas, nomeadamente o internacional marroquino Zakaria Aboukhlal, o neerlandês Saïd Hamulic e o internacional maliano Moussa Diarra, os três do Toulouse e o internacional egípcio Mostafa Mohamed do Nantes.

Ao recusarem vestir a camisola os jogadores acabaram por falhar os jogos das respectivas equipas. De sublinhar que no caso do egípcio Mostafa, este foi multado pelo clube e o dinheiro foi revertido para uma associação que luta contra a homofobia.

A ministra do Desporto, Amélie Oudéa-Casterá rapidamente condenou a atitude destes jogadores em declarações à televisão referindo que “o objetivo da campanha era passar uma simples mensagem contra a descriminação, algo essencial num país como a França, que defende e promove os direitos humanos.” Acrescenta ainda que ”os  jogadores que recusaram fazê-lo devem ser sancionados. Os clubes têm de educar e trabalhar melhor com os seus jogadores para que eles entendam a importância deste tipo de campanhas”.

Paulo Fontes, diretor de campanhas da Amnistia Internacional Portugal, também já teve oportunidade de se pronunciar  referindo que é necessário estes estímulos principalmente de entidades desportivas e personalidades, de todas as identidades e pessoas que possam fazer pública esta mensagem de que a homofobia e a transfobia não podem ter lugar em sociedades. 

Entretanto, o Sindicato Francês dos Jogadores Profissionais de Futebol (UNFP) lembrou que a grande maioria dos jogadores apoiou esta campanha e defendeu  que sancionar este tipo de atitude é uma “forma de bullying”.”Se a luta contra a homofobia é uma causa importante, acabar com o bullying no futebol profissional francês também é importante”, defendeu a UNFP.

É importante não esquecer que alguns dos  jogadores visados praticam a religião muçulmana. Religião essa em que o Alcorão não permite, por exemplo ter relações com pessoas do mesmo sexo, visto que pode levar a prisão até 7 anos. Posto isto, considero relevante existir  um respeito, que não existiu, por estes jogadores, visto que acima de tudo, se o que se defende  é o  respeito por estas comunidades, deveria também existir um respeito por estas religiões e suas respectivas crenças. 

Mohamed através das suas redes sociais pronunciou-se referindo que “Respeito todas as diferenças. espeito todas as crenças e todas as convicções. Este respeito aos outros inclui também o respeito às minhas crenças pessoais”. 

O jogador Zakaria explica igualmente que tem “a mais alta estima por cada individuo, seja quais forem as suas preferências pessoais, sexo, religião ou origem”. O avançado completa que “o respeito é um valor que tenho em grande estima. É extensivo aos outros, mas também engloba o respeito pelas minhas convicções pessoais. Por isso, não me considero a pessoa mais indicada para participar nesta campanha.”

Perante o exposto acredito que foi completamente desrespeitado a liberdade religiosa destes jogadores. Em Portugal a liberdade e respeito pela religião e culto de cada um constitui um direito fundamental que se encontra expresso na Constituição da República Portuguesa no seu artigo 41º. É de realçar o nº 2 do respectivo preceito em que “ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou práticas religiosas". 

Recorrendo à legislação francesa, este direito encontra-se consagrado na constituição desde 1971, nomeadamente no seu artigo primeiro que refere exatamente que “A França é uma República indivisível, laica, democrática e social. Assegura a igualdade de todos os cidadãos perante a lei sem distinção de origem, raça ou religião. Respeita todas as crenças.”

Assim, tal como existe uma imposição para respeitar esta comunidade LGBT, esse dever de respeito tem de ser igualmente estendido a todas as convicções e crenças pessoais destes jogadores. 

Maria Inês Carvalho
O que se encontra em causa são as raízes e a própria cultura destes jogadores que os impede de apoiarem estas causas, o que neste caso não foi ponderado, acabando por valorar apenas o dever de respeito pela comunidade LGBT e ignorando, por outro lado, a liberdade religiosa que constitui igualmente um direito fundamental.


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