Boicotes desportivos motivados pela guerra na Ucrância e a proibição da Chéquia aos atletas russos de participarem em competições locais

A temática da guerra na Ucrânia por consequência da invasão russa iniciada em Fevereiro de 2022 tem levado que muitos países se manifestem contra a participação de atletas russos em campeonatos e competições. 

A República Chéquia não foi exceção e proibiu atletas russos de participarem em competições e jogos desportivos que fossem organizados em solo checo. Simultaneamente, os atletas checos também não podiam participar em competições organizadas em território russo, bem como a análise a tantas outras situações que levaram à exclusão de atletas russos de eventos desportivos. 

Ora, motivado por tal imposição está a revolta dos povos europeus quanto à invasão da Ucrânia por parte da Rússia e a inação por parte do povo russo à ilegalidade inerente a todo este conflito armado que tem marcado a nossa década de 20. 

A opção por estes boicotes consecutivos que temos assistido adotada por diversos países, principalmente pelos países da Europa, é uma forma deste se manifestarem e protestarem contra uma guerra que parece não ter fim. Terá utilidade prática? Não parece. Todos os cidadãos têm o seu direito de protesto contra aquilo que acham incorreto e injusto e têm de recorrer aos mecanismos que lhes são acessíveis para fazerem valer as suas ideias e defender os seus propósitos, sobretudo quando a violência não é uma forma de resposta para além daquela que já se faz sentir na Europa há quase dois anos. 

Aqui estamos a assistir a uma espécie de castigo aplicado aos cidadãos russos, nomeadamente aos atletas de nacionalidade russa, em consequência das opções bélicas adotadas pelo seu Estado. Em que medida é tal postura correta? Há alternativa? Está a parte a ser tomada pelo todo? É justo para com o ambiente desportivo? As respostas a estas perguntas podem ser (e são) múltiplas, exceto no que respeita à última.

O ambiente desportivo deve (e tem de) ser pautado pelo respeito pelo próximo, pelas ideias do outro e pôr de lado as questões políticas e os seus ideais pois o desporto vai muito para além disso. O desporto de competição encontra-se no espírito de alcance de objetivos, pessoais e de equipa e de entretenimento não só dos atletas que por vezes tão pouco ou nenhuns apoios têm e abdicam de si para dar ao desporto, como daqueles que assistem. 

Um dos objetivos do desporto é promover a integração social, deixando de lado todas e quaisquer diferenças para que as pessoas, praticantes e adeptos, possam ali convergir e esquecer todas as diferenças e sobretudo o preconceito que desde sempre vem minando a nossa sociedade. Portanto, se tudo isto já é dificílimo de concretizar, quando há um conflito armado como aquele que temos vindo a assistir, com todas as catástrofes que tem causado, quer sociais, como ambientais, ainda mais difícil é manter a linha da neutralidade e da igualdade intacta, quando esta realidade é tão chocante. Ainda que se possa considerar que estes boicotes são contra as normas e essência do desporto, os motivos pelos quais sucedem são, salvo melhor opinião, compreensíveis e, quem sabe, até necessários como sendo mais uma forma de tentativa de acabar com este conflito que não se sabe que dimensões pode ainda vir a tomar.

Patrícia L. Nunes


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