«Vocês têm armas, eu tenho um filho de sete anos»
«Vocês têm armas, eu tenho um filho de sete anos» foi a frase que se ouviu entre os adeptos e as forças policiais no jogo entre o Vasco da Gama e o Goiás. Vasco da Gama após vencer o Goiás em sua casa, na noite de dia 22 de junho, por 1-0, num duelo relativo à 11.ª jornada do Brasileirão, os ânimos exaltaram-se no final do encontro e a revolta dos adeptos do Vasco fez-se sentir. A revolta dos adeptos já é alimentada pelo descontentamento da sétima derrota em onze jogos.
Primeiramente dentro das quatro linhas com o lançamento de tochas para o relvado do estádio de São Januário. A maior confusão ocorreu fora do estádio com o apedrejamento do carro do árbitro assistente. A Polícia de forma a acalmar os ânimos teve de efetuar disparos diversas vezes, não se registando nenhum ferido derivado destes.
Posteriormente os adeptos do Vasco da Gama procederam à tentativa de entrada dentro das instalações do estádio onde se encontrava o treinador português, Armando Evangelista e os seus adjuntos.
O treinador derivado a ainda não ter o visto necessário para trabalhar no país acompanhou toda a partida através dos camarotes. Estes tiveram de se esconder dentro da sala de Imprensa, deitados no chão entre as cadeiras que lá se encontravam, enquanto aguardavam pelas autoridades para que não fossem agredidos pelos adeptos da equipa do Rio de Janeiro.
O treinador português já se pronunciou publicamente referindo que "Tememos o pior, foram confrontos muito feios e que em nada dignificam o que é o futebol". Os jogadores tiveram de abandonar o campo com escolta policial devido ao arremesso de tochas e outros engenhos pirotécnicos para o relvado. Segundo relatos, os adeptos batiam nos vidros e ameaçavam invadir o local. O clima hostil relatado causou apreensão sem segurança.
Por outro lado, a equipa do Goiás só conseguiu recolher aos balneários 15 minutos após o apito final, enquanto ainda decorriam tumultos nas bancadas com as autoridades a usarem gás pimenta para dispersar a confusão.
É notória a crescente violência no futebol brasileiro. O Brasil tem assistido, nos últimos meses a um aumento de casos de violência, sendo o principal fator que contribui para estes episódios a impunidade sentida pelos infratores. José Vicente da Silva defende que o problema encontra-se diretamente ligado à falta de penalizações aplicadas. Este afirma que o estatuto de torcedor é severo em relação às medidas de controle "Mas a impressão que a gente tem é que ele é pouco aplicado.”
A sociedade brasileira é marcada por violências estruturais e históricas. É um país muito assinalado por desigualdades, pobreza, impunidades, discriminações e exclusões. Tudo isto contribui e estimula estas inúmeras violências, que se generalizam por várias segmentos da vida social. Muitos dos infratores veem o futebol como um escape para todos os problemas econômicos e políticos que afetam o país. Quando o futebol não lhe traz a felicidade que estes necessitam, a reação é sempre a violência.
Existe assim uma necessidade gradual de elaboração de leis mais eficientes para cobrir, controlar e punir a violência no futebol. Não basta apenas a repressão por parte das forças policiais, sendo importante antes de mais prevenir estas situações e principalmente educar os adeptos. A criação destas leis e efetivamente a sua aplicação é algo que falha no futebol brasileiro. A impunibilidade é a origem e o fim deste problema.
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| Maria Inês Tuna |


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