Opinião - "Carne para canhão!"


Dizem que os anos ímpares correspondem a anos de azar e, sem dúvida, que para Kevin De Bruyne o ano 2023 trouxe-lhe infelizes acontecimentos a nível pessoal e, consequentemente, a nível profissional.

Apesar de, atualmente o jogador ora em causa, se encontrar estável no que toca à sua saúde, a verdade é que passou por um momento mais difícil causado pela série de jogos e riscos que correu ao longo da sua carreira.

De Bruyne conta com mais de 700 jogos no seu currículo e a preocupação inerente à sua saúde nunca foi um assunto que algum agente desportivo tivesse tido em conta e, por conta do mesmo, o jogador acabou por sofrer uma lesão grave, onde acabou por ser operado aos tendões.

Em consequência de diversos casos como o de Bruyne, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) já começou a manifestar apoio à queixa das Ligas Europeias e da federação FIFPro contra a FIFA na Comissão Europeia e rejeitou o alargamento das competições “à custa da saúde e bem-estar".

Na sequência do comunicado das Ligas Europeias, organismo presidido pelo português Pedro Proença e da Federação Internacional das Associações de Futebolistas (FIFPro), que vêm o Mundial de clubes marcado para 2025 e o alargamento do Mundial de seleções, em 2026, como decisões unilaterais que constituem abuso de posição dominante, o presidente do SJPF vinca que os alargamentos competitivos colocam em risco os períodos de repouso dos atletas.


Líder do organismo sindical desde 2005, Joaquim Evangelista considera que a FIFA não é o único organismo que se "está a portar mal" e defendeu que a ação das Ligas Europeias e da FIFPro deveria visar também a UEFA e demais federações que "alargaram formatos competitivos sem dialogarem, nem medirem as consequências para a saúde dos atletas".

Atento à realidade da sobrecarga competitiva, a seu ver evidente em relatórios da FIFPro e do CIES (Observatório do Futebol) e em declarações de jogadores e treinadores de elite, como Jürgen Klopp, Pep Guardiola e os internacionais portugueses Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou Rúben Dias, o dirigente já pediu uma reflexão global com vista a um equilíbrio entre saúde e rentabilidade.

Posto isto, partilhamos da mesma opinião que é mais do que urgente criar-se mecanismos e legislação que proteja os jogadores a nível da saúde, de forma a ficarem mais protegidos de forma a serem feitos mais rastreios e um melhor acompanhamento, porque muitas vezes se esquece que os jogadores também são profissionais, tal como qualquer outro, pelo que tem de haver uma igualdade entre profissionais.

Falamos de jogadores de futebol, profissionais abrangidos por um contrato de trabalho, que são considerados como figuras para entretenimento, mas na verdade, são pessoas como todas as outras e são igualmente merecedores de todos os apoios, não podem ser considerados como máquinas de produzir dinheiro.

Lúcia Batista



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