Internacional - Vira o disco e toca o mesmo


A emoção sentida durante um jogo de futebol é por muitos qualificada como um sentimento indescritível. Os adeptos unidos nas bancadas a cantar pelo seu clube de coração, os nervos entusiasmantes antes daquele golo inesperado, os abraços dados a quem por vezes nem conhecemos, mas que sentem o jogo como nós sentimos. São 90 minutos em que estamos todos unidos com um mesmo propósito: apoiar. É uma pena que esse cenário seja tão efémero.

Ao ouvir o som do apito, um jogo pautado por companheirismo e união rapidamente se transforma numa batalha insultuosa entre novos rivais. E o jogo da Colômbia contra o Brasil não foi exceção. Após um jogo efusivo e desafiante, sentiu-se, como dita a tradição, um clima pesado na conferência de imprensa tendo até desencadeado altercações entre as equipas de comunicação de cada federação. Rapidamente as partes trocaram uma série de insultos e empurrões entre si, tendo sido necessária a intervenção das autoridades para acalmar os intervenientes.


Certamente, este tipo de notícia não será novidade para quem acompanha o mundo do futebol; é apenas mais um caso onde um resultado inesperado culminou em agressões verbais e físicas. Mas é precisamente aí que está a sede do problema.

A banalização da violência no futebol tem vindo a descaracterizar o propósito que este desporto é suposto ter na nossa sociedade, propósito esse de coesão social e de transmissão de ensinamentos como o fairplay e a superação pessoal.

Uma vez que existe um carácter recorrente destas situações, a intervenção por parte das autoridades e a imposição de normas para combater a violência neste desporto nunca pareceu tão importante como agora.

Apesar de existirem as mais diversas legislações sobre o tema, importa perceber quem responsabilizar para se poderem mobilizar ações mais concretas para erradicar este tipo de comportamentos.

A FIFA, enquanto entidade organizadora do evento, repudia, no seu Code of Ethics e no Disciplinary Code, quaisquer ações que prejudiquem o bom funcionamento das competições e que resultem numa violação clara dos códigos morais. A introdução destas normas no meio desportivo visa a delimitação das condutas dos jogadores, oficiais e demais trabalhadores subordinados à FIFA, bem como a sanção daqueles que desrespeitarem os preceitos impostos por esses códigos.

Contudo, no caso do pós-jogo da Colômbia-Brasil, o episódio ocorreu entre membros das equipas de comunicação das duas seleções, cuja contratação não compete à FIFA, mas antes a cada país, pelo que não estão diretamente subordinados aos códigos impostos por esta instituição.

Ana Rita Mata
Não obstante esse facto, uma vez que o sucedido ocorreu dentro do recinto desportivo, seria expectável que se tomassem medidas de prevenção adequadas ao contexto competitivo e que fossem organizadas equipas responsáveis para aferir quem contratou a imprensa para aquele jogo, de forma a lhes serem aplicadas sanções em concordância com as previstas na conduta disciplinar da FIFA, quer sejam elas multas ou expulsão de futuros eventos, mediante a gravidade das ofensas proferidas.

Neste sentido, é importante que se procure melhorar os métodos preventivos de forma a garantirmos uma maior segurança nas competições futebolísticas. Cabe ainda recordar aquilo que nos une neste desporto para que o futebol, tal como as demais modalidades desportivas, continue a ser levado a sério, praticado de forma segura e que fomente a união.


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