Opinião - O futebol também se joga na mente
Artur Jorge, ex-treinador do SC Braga, abordou, no início de 2024, um tema que ultrapassa as quatro linhas e que se mantém extremamente atual nos dias de hoje: a sanidade mental. Na conferência de antevisão ao jogo contra o Benfica, o técnico destacou o impacto que as críticas nas redes sociais e consequente pressão psicológica podem ter nos jogadores, reconhecendo que “temos um problema”. Este desabafo é mais do que oportuno num ambiente onde a exigência por resultados imediatos é constante e, muitas vezes, cruel.
O futebol vive sob a ótica implacável das críticas e opinião pública. Para além de precisarem de demonstrar competências profissionais, os jogadores têm também de lidar com a carga emocional que pode ser desgastante. As redes sociais permitem que qualquer adepto desportivo, sem filtro ou empatia, critique e humilhe atletas, invadindo a sua esfera íntima.
Embora este debate sobre a saúde mental no desporto esteja a ganhar mais visibilidade, ainda existem muitos tabus e preconceitos que dificultam este progresso. Durante muitos anos, a resiliência emocional no desporto foi vista como sinónimo de força e sucesso, enquanto alguns sinais de vulnerabilidade eram interpretados como sinais de fraqueza.
As palavras de Artur Jorge evidenciam uma necessidade de mudança de realidade. É urgente que os clubes tomem uma posição e integrem apoio psicológico e mecanismos para os jogadores e envolvidos consigam ter algumas ferramentas para lidar com críticas negativas mais cruéis que possam surgir.
Os adeptos, que desempenham um papel vital no desporto, também têm responsabilidade de refletir sobre o impacto das suas palavras e ações. Os comentários insultuosos ou ataques nas redes sociais podem parecer inofensivos, mas para os jogadores, estes gestos podem contribuir para uma alteração negativa do estado emocional.
É necessário promover uma cultural de apoio e empatia. O respeito e o entendimento de que os jogadores são seres humanos com as mesmas vulnerabilidades tal como qualquer pessoa são passos fundamentais para garantir um desporto mais saudável.
Estas declarações de Artur Jorge devem ser um ponto de partida para ações mais concretas. O futebol, além de desporto e fonte de entretenimento é, também uma plataforma poderosa, com potencial de fazer mudanças sociais significativas. Abordar a saúde mental no desporto não é apenas uma necessidade urgente, mas também uma oportunidade de mostrar que o sucesso desportivo pode, e deve, caminhar lado a lado com a saúde e o equilíbrio emocional.
Se os clubes, adeptos e a sociedade como um todo trabalharem juntos, será possível criar um ambiente mais saudável para os atletas, garantindo que o futebol continue a inspirar gerações, sem comprometer a saúde daqueles que dão vida ao espetáculo.
Mariana Pessanha
A verdade é que o futebol é mais que um desporto, é um reflexo da sociedade e dos seus valores. Se queremos que os jogadores continuem a inspirar e entreter, é essencial garantir que o ambiente em que trabalham e estão expostos seja saudável e seguro.



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