Nacional - Árbitras: um novo capítulo na arbitragem portuguesa
Em janeiro de 2024, o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol decidiu dar um passo no sentido da igualdade de género e criou um projeto que colocou seis árbitras portuguesas a trabalhar em regime de dedicação exclusiva à arbitragem, algo que até aí era praticamente reservado aos árbitros do sexo masculino.
Este programa foi desenhado não só com o objetivo de lhes dar melhores condições de trabalho, mas também para impulsionar o crescimento do setor feminino da arbitragem em Portugal.
Para as apoiar neste percurso, a federação criou uma equipa de apoio composta por um preparador físico, um treinador de futebol, um técnico de arbitragem, um fisioterapeuta, um médico e um nutricionista, ou seja, montou uma equipa multidisciplinar para proporcionar um acompanhamento muito próximo do que já era habitual junto dos árbitros mais experientes do futebol masculino.
Pouco mais de um ano depois do início do projeto, uma das seis árbitras escolhidas, Catarina Campos, tornou-se, em fevereiro de 2025, a primeira mulher a arbitrar um jogo das competições profissionais masculinas em Portugal e fê-lo à frente de uma equipa de arbitragem totalmente feminina.
Cerca de um mês depois, em março de 2025, esta voltou a fazer história ao tornar-se a primeira árbitra principal num jogo da própria Liga Portugal, o principal escalão do futebol masculino, no encontro entre o Casa Pia e o Rio Ave.
Este percurso não ficou por aqui, porque Catarina Campos acabou também por integrar a equipa de arbitragem do Benfica frente ao Farense na função de videoárbitra, mostrando que o seu trabalho passou a ser reconhecido nos jogos de maior visibilidade do futebol português e no plano internacional o reconhecimento foi ainda mais longe, já que a árbitra portuguesa foi nomeada para dirigir encontros no Europeu feminino de 2025.
Também Andreia Sousa, que já tinha sido a primeira assistente a figurar num jogo da Liga em 2023, foi promovida ao quadro principal para a época 2024/2025 e chegou a arbitrar o embate entre o Chelsea e o Manchester City nos quartos de final da Liga dos Campeões feminina.
O presidente do Conselho de Arbitragem, Fontelas Gomes, sempre defendeu que se pretendia dar às árbitras condições para crescerem, através da atribuição das mesmas oportunidades que eram dadas aos árbitros masculinos às árbitras femininas e os resultados destes últimos dois anos parecem confirmar essa diretiva.
Esta narrativa demonstra como um projeto que em 2024 podia parecer apenas mais um anúncio institucional da federação acabou por se traduzir, na prática, em momentos concretos e visíveis de mudança.
A profissionalização da arbitragem feminina não ficou apenas no papel, regista-se árbitras portuguesas a dirigirem jogos masculinos de topo e a serem chamadas para competições internacionais de grande visibilidade, o que se traduz em mais confiança nas equipas e do público nas suas decisões e, no futuro, em mais oportunidades para outras árbitras seguirem o mesmo caminho.
Fica agora a esperança que este crescimento continue a ocorrer nas próximas épocas, sempre com o mesmo desejo de fundo, que é o de garantir que o mérito e o talento sejam o que realmente distingue quem arbitra um jogo. Beatriz Pires
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